Como escolher um protetor solar seguro para a pele e para o ambiente

Continuamos a série de artigos sobre praia sustentável. Depois de passarmos pelas marcas de fatos de banhos e bikinis abordamos os protectores solares. Ao longo do artigo abordamos os diverso tipos de protectores solares e explicamos tudo sobre a sua segurança na pele, na saúde e no meio ambiente. Sabes como escolher um protector solar?

Porque é importante escolher um protetor solar sustentável?

O protetor solar é um dos produtos mais importantes para prevenir queimaduras solares, o envelhecimento precoce da pele e reduzir o risco de cancro da pele. No entanto, a crescente utilização destes produtos levanta uma questão: será possível proteger a pele sem prejudicar o ambiente?

Todos os anos, grandes quantidades de protetor solar acabam por chegar aos mares, rios e lagos através dos banhos ou durante o duche. Embora a investigação sobre o impacto ambiental de alguns ingredientes ainda esteja em evolução, existe um consenso crescente de que a escolha de fórmulas e embalagens mais sustentáveis pode contribuir para reduzir a pegada ecológica.

Assim, um protetor solar sustentável procura equilibrar três objetivos: proteger eficazmente a pele, minimizar o impacto ambiental e reduzir o consumo de recursos ao longo do ciclo de vida do produto.


O que é um bom protetor solar? Como se torna sustentável?

Não existe uma definição legal de “protetor solar sustentável” ou “reef safe”. Estas expressões são frequentemente utilizadas pelas marcas, mas não correspondem a uma certificação oficial. A qualidade, de proteção, em geral, na União Europeia também está assegurada. Mas há detalhes, e vale a pena conhecê-los.

Na prática, um produto tende a ser mais sustentável quando reúne várias destas características:

  • proteção eficaz contra os raios UVA e UVB. Oferce portanto um largo espectro de protecção. Lembra-te se não estás devidamente protegida, o que quer que coloques é desperdicio.
  • ingredientes com menor impacto ambiental conhecido;
  • ausência de alguns filtros UV considerados mais controversos do ponto de vista ambiental;
  • fórmulas biodegradáveis ou de elevada biodegradabilidade;
  • embalagens recicláveis ou produzidas com plástico reciclado;
  • redução do uso de plástico e de embalagens desnecessárias;
  • fabrico com menor consumo energético e práticas ambientalmente responsáveis;
  • certificações reconhecidas de cosmética natural ou biológica.

Filtros solares: minerais ou orgânicos?

Os protetores solares recorrem essencialmente a dois tipos de filtros.

Filtros minerais

Os filtros minerais utilizam normalmente:

  • óxido de zinco;
  • dióxido de titânio.

Estes ingredientes permanecem maioritariamente à superfície da pele, refletindo e dispersando parte da radiação UV.
Os protectores minerais são muitas vezes vistos como superiores pelo baixo potencial de irritação, reduzida absorção pela pele. Maior adequeação para peles sensíveis. É frequentemente recomendados para crianças e pessoas com dermatite ou rosácea.

Por outro lado, pode deixar um ligeiro efeito branco na pele, embora as formulações mais recentes tenham melhorado significativamente este aspeto.

Filtros orgânicos (químicos)

Os filtros orgânicos absorvem a radiação ultravioleta antes que esta provoque danos na pele.

Existem dezenas de filtros aprovados na União Europeia, sendo muitos deles de última geração e com excelente perfil de segurança.

Alguns ingredientes mais antigos, como a oxibenzona, o octinoxato e o octocrileno, têm sido alvo de estudos devido ao seu potencial impacto ambiental, levando muitas marcas a substituí-los por alternativas mais recentes.


Os protetores solares são tóxicos?

Esta é uma das dúvidas mais frequentes dos consumidores.

A resposta curta é: não existe evidência científica de que os protetores solares autorizados na União Europeia sejam tóxicos para o utilizador quando utilizados conforme as instruções.

Os benefícios da utilização regular são amplamente superiores aos riscos conhecidos.

Filtros minerais

  • Muito baixa absorção cutânea.
  • Baixo risco de alergias.
  • Não existem evidências de efeitos hormonais.

Filtros orgânicos

Alguns filtros podem ser absorvidos pela pele e detetados no sangue, mas isso não significa que sejam prejudiciais.

Até ao momento:

  • não foi demonstrada toxicidade em humanos nas concentrações autorizadas;
  • não existe evidência consistente de alterações hormonais clinicamente relevantes;
  • as autoridades europeias continuam a considerar estes ingredientes seguros dentro dos limites regulamentares.

Que ingredientes devo evitar?

Embora aprovados pelas entidades reguladoras, muitos consumidores preferem evitar alguns ingredientes de protetores solares. É importante perceber, no entanto, que essa aprovação diz respeito à segurança para a saúde humana, avaliada na União Europeia, pelo Comité Científico da Segurança dos Consumidores (SCCS). O impacto ambiental destes ingredientes é avaliado separadamente, por outras entidades, e continua a gerar debate científico.
Entre os mais referidos encontram-se:

  • Oxibenzona: considerada segura para a pele nas concentrações permitidas, mas associada por vários estudos a bloqueamento coral e a possíveis efeitos hormonais.
  • Octinoxato: associado a efeitos hormonais em estudos com peixes; costuma ser incluído nas mesmas restrições ambientais aplicadas à oxibenzona.
  • Octocrileno: considerado seguro para a pele pelo SCCS. A principal preocupação é ambiental: com o tempo, degrada-se noutra substância (benzofenona) e há indícios de toxicidade para a vida marinha. Em 2025, a Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA) propôs mesmo restringir o seu uso por motivos ambientais, não de saúde.

Em contrapartida, muitos protetores solares modernos utilizam filtros de nova geração, como o Tinosorb ou o Uvinul A Plus, ou filtros minerais (óxido de zinco, dióxido de titânio), vistos como mais consensuais do ponto de vista ambiental.


A embalagem também conta

Quando se fala de sustentabilidade, não basta olhar para a composição.

Uma embalagem sustentável deverá privilegiar:

  • plástico reciclado (PCR);
  • materiais totalmente recicláveis;
  • redução da quantidade de plástico;
  • embalagens recarregáveis;
  • cartão certificado FSC;
  • redução de embalagens secundárias.

Como identificar um protetor solar sustentável em 30 segundos

Quando estás em frente à prateleira, não precisas de analisar todos os ingredientes. Basta verificares estes pontos:

  • Procura proteção de largo espetro: Deve indicar proteção UVA + UVB)
  • Escolhe FPS 30 ou superior: Para a maioria das pessoas: FPS 30 ou FPS 50
  • Observa os filtros utilizados: preferes minerais ou orgânicos?
    • Se preferires filtros minerais, procura ingredientes como:
      • Zinc Oxide (Óxido de Zinco)
      • Titanium Dioxide (Dióxido de Titânio)
    • Se optares por filtros orgânicos, privilegia fórmulas modernas e fotoestáveis.
  • Verifica a embalagem: Dá preferência a: plástico reciclado; embalagem reciclável: informação sobre sustentabilidade
  • Evita confiar apenas no marketing
    • Expressões como: “Natural”, “Eco”, “Reef Safe” não são certificações oficiais.
    • Confirma sempre a lista de ingredientes e procura certificações independentes quando existam

Marcas portuguesas de protetor solar sustentável

Embora Portugal ainda tenha uma oferta reduzida neste segmento, existem marcas nacionais que demonstram preocupação com a sustentabilidade.

MPL Beauty

A MPL Beauty é uma marca portuguesa de cosmética que promove uma abordagem consciente aos cuidados da pele, com produtos de elevada qualidade que aliam eficácia, bem-estar e ingredientes cuidadosamente selecionados.

BioVó

Marca portuguesa de cosmética natural que privilegia ingredientes vegetais e processos de fabrico responsáveis.


Marcas internacionais de referência

Entre as marcas frequentemente associadas à sustentabilidade encontram-se:

Estas marcas apostam frequentemente em filtros minerais, ingredientes de origem natural e embalagens mais ecológicas.


Quanto protetor solar deves aplicar?

Escolher um bom protetor solar é apenas metade da equação. Para obteres o nível de proteção indicado na embalagem, também é importante aplicares a quantidade correta.

Para o rosto, muitos dermatologistas recomendam a regra dos dois dedos: coloca duas linhas de protetor solar ao longo do dedo indicador e do dedo médio. Essa quantidade é geralmente suficiente para cobrir o rosto e o pescoço.

Para um adulto, a quantidade recomendada para o corpo inteiro é de cerca de 30 ml, o equivalente a um pequeno copo de shot. Além disso, lembra-te de reaplicar o protetor de duas em duas horas e sempre após nadar, transpirar ou secar-te com a toalha.


Perguntas frequentes (FAQ)

Os protetores solares minerais são mais seguros?

São geralmente preferidos por pessoas com pele sensível devido à sua reduzida absorção pela pele e baixo potencial alergénico. No entanto, os filtros orgânicos aprovados na União Europeia também são considerados seguros quando utilizados corretamente.

O que significa “reef safe”?

Não existe uma definição legal para esta expressão. Deve ser encarada como uma alegação de marketing e analisada em conjunto com a lista de ingredientes e eventuais certificações.

Existem protetores solares portugueses sustentáveis?

Sim. Embora a oferta ainda seja limitada, marcas como a BioVó têm vindo a apostar em soluções de proteção solar com maior preocupação ambiental, enquanto outras marcas portuguesas de cosmética natural desenvolvem produtos segundo princípios de sustentabilidade.

Os protetores solares químicos fazem mal?

As evidências científicas atuais indicam que os filtros UV autorizados na União Europeia são seguros para utilização humana nas concentrações permitidas. A prevenção dos danos causados pela radiação UV continua a trazer benefícios muito superiores aos riscos conhecidos.


Conclusão

Escolher um protetor solar sustentável não significa abdicar da proteção da pele. Pelo contrário, significa optar por um produto que combina eficácia contra os raios UV com uma menor preocupação ambiental sempre que possível.

Ao privilegiar fórmulas bem desenvolvidas, embalagens recicláveis e marcas transparentes quanto aos seus ingredientes, cada consumidor pode contribuir para reduzir o impacto ambiental sem comprometer a saúde da pele.

Em última análise, o melhor protetor solar é aquele que oferece proteção eficaz, é adequado ao seu tipo de pele e que será utilizado de forma consistente durante todo o ano.