Como seria viver numa cidade verdadeiramente sustentável? É a pergunta que serve de ponto de partida à Cidade do Zero, que regressa a Lisboa nos dias 19 e 20 de setembro. Entre conversas, oficinas, reparações, marcas responsáveis e um mercado onde se pode trocar roupa, livros e plantas, há dois dias para conhecer e experimentar: alternativas para um quotidiano com menos desperdício.
Nos dias 19 e 20 de setembro, o Parque Eduardo VII, em Lisboa, transforma-se numa espécie de pequena cidade dedicada à sustentabilidade.
Quando: 19 e 20 de setembro
Localização: Parque Eduardo VII, em Lisboa
Horário: 10h00 às 19h30.
A entrada no evento é gratuita. A participação no Mercado de Trocas tem o custo de 1 euro por pessoa.
É a quarta edição da Cidade do Zero, um evento anual que nasceu em 2022 com a intenção de mostrar, de forma prática, como poderia funcionar uma cidade mais sustentável e inclusiva. Depois de passar pelo Pavilhão do Conhecimento, pelo Centro Cultural de Belém e pela Tapada da Ajuda, o evento instala-se este ano, pela primeira vez, no Parque Eduardo VII.
A ideia não é falar de sustentabilidade apenas em teoria. Ao longo dos dois dias, o programa cruza palestras e conversas com workshops, oficinas, showcookings, atividades para famílias, reparações e diferentes formas de consumo e economia circular. A entrada no recinto é gratuita.
Uma cidade para experimentar outras escolhas
Na Cidade do Zero, sustentabilidade aparece aplicada a diferentes áreas do quotidiano: da alimentação à mobilidade, da energia à casa e, naturalmente, à forma como compramos e usamos aquilo que temos.
Uma das zonas do evento é dedicada a um mercado com mais de 100 marcas portuguesas, distribuídas por áreas que incluem moda e acessórios, casa e bem-estar, alimentação, família, serviços, mobilidade e circularidade.
Mas comprar não é a única possibilidade.
O evento procura também mostrar alternativas ao modelo de comprar, usar e descartar. Há venda em segunda mão, oficinas de reparação e um Mercado de Trocas: propostas que partem de uma ideia bastante simples: antes de substituir alguma coisa, talvez possamos prolongar-lhe a vida, repará-la ou fazê-la chegar às mãos de outra pessoa.
Roupa esquecida no armário? Leva para trocar
Para quem tem peças em bom estado que já não usa, o Mercado de Trocas, dinamizado pela Let’s Swap, é provavelmente uma das atividades mais interessantes.
E não é apenas um mercado de roupa.
Podem ser levadas roupas e acessórios, livros e plantas, desde que cumpram as condições estabelecidas pela organização. Cada pessoa pode levar, por dia, até três peças de roupa ou acessórios, três livros e três plantas.
No caso da roupa, são aceites peças em bom estado e que ainda tenham potencial para serem usadas por outra pessoa. Ficam de fora artigos com nódoas, rasgões, descosidos, cheiro a mofo ou sinais de uso excessivo, assim como peças promocionais. Também não são aceites sapatos, roupa interior, pijamas, biquínis ou fatos de banho.
Nos livros, a regra é igualmente simples: devem estar em bom estado. Livros escolares ou religiosos, exemplares demasiado antigos ou danificados e publicações provenientes de revistas não entram nas trocas.
Já as plantas devem ser entregues plantadas num recipiente — não são aceites apenas cortes.
A participação no Mercado de Trocas tem o valor simbólico de 1 euro por pessoa, destinado a apoiar a organização, produção e logística asseguradas pela Let’s Swap.
A lógica é levar alguma coisa que deixou de ter utilidade para nós, mas que ainda pode ter valor para outra pessoa, e procurar entre o que chegou pelas mãos de outros participantes algo que faça sentido levar para casa.
Reparar antes de substituir
As trocas não são a única forma de prolongar a vida das coisas.
A Cidade do Zero inclui também oficinas de reparação, dando espaço a uma prática que durante muito tempo fez parte do quotidiano e que o consumo rápido ajudou a tornar menos habitual: tentar arranjar antes de comprar de novo.
A própria organização usa exemplos tão diferentes como um botão por coser ou uma torradeira avariada para explicar o conceito. A reparação junta-se, assim, à segunda mão e às trocas como uma das vertentes da economia circular presentes no evento.
No caso da roupa, é uma questão particularmente relevante. Uma peça com um pequeno defeito não chegou necessariamente ao fim da sua vida. Por vezes basta uma costura, um arranjo ou uma alteração para voltar a ser usada durante muito mais tempo.
Nem tudo o que é novo tem de ser novo
Talvez seja essa uma das ideias mais interessantes da Cidade do Zero: colocar, no mesmo espaço, diferentes maneiras de responder às necessidades do dia a dia.
Podemos comprar a uma marca que procura produzir de forma mais responsável. Podemos procurar em segunda mão. Podemos trocar algo que deixou de fazer sentido para nós. Podemos reparar o que já temos. E podemos também chegar à conclusão de que não precisamos de nada.
Para quem se interessa particularmente por moda e consumo, o Mercado de Trocas torna esta reflexão bastante concreta. Aquela peça parada no fundo do roupeiro pode não ter perdido o seu valor — pode simplesmente ter deixado de fazer sentido para quem a comprou.
Antes de pensar no que falta no armário, talvez valha a pena olhar para aquilo que já lá está.
