Roupa parada no armário? Livros que já não vamos voltar a ler? O Greenfest regressa a Braga de 25 a 27 de setembro e, entre conversas, workshops, showcookings e atividades dedicadas à sustentabilidade, há várias propostas para quem procura formas diferentes de consumir: um mercado de trocas de roupa e livros, um pop-up de roupa em segunda mão e uma conversa sobre upcycling.
Durante três dias, a Praça da República transforma-se num ponto de encontro dedicado à sustentabilidade, com atividades para diferentes idades e temas que vão da economia circular à biodiversidade, alimentação, cidadania e bem-estar. Em 2026, Braga é a única cidade a receber o Greenfest.
Quando: 25, 26 e 27 de setembro de 2026
Onde: Praça da República, Braga
Horário: 10h00 às 19h00, segundo o programa oficial do Greenfest
Entrada: gratuita. A organização recomenda registo prévio.
Mercado de trocas Let’s Swap: sábado, 26 de setembro, das 15h00 às 18h00. Participação: 1 euro.
O programa do Greenfest disponível online é ainda provisório.
O Greenfest apresenta-se como um festival dedicado às diferentes dimensões da sustentabilidade e, nesta edição, ocupa o centro de Braga com palestras, workshops, música, oficinas para crianças, showcookings, atividades de bem-estar e um Eco-Market com marcas e projetos sustentáveis.
Mas comprar produtos diferentes é apenas uma das possibilidades.
Para quem se interessa particularmente por moda, segunda mão e economia circular, há pelo menos três propostas que nos chamaram imediatamente a atenção: trocar aquilo que já não usamos, procurar roupa que já teve uma primeira vida e descobrir novas formas de transformar materiais através do upcycling.
As nossas escolhas
Com atividades a acontecer ao longo dos três dias, estas são algumas das que nos parecem especialmente interessantes.
Mercado de trocas Let’s Swap
Sábado, 26 de setembro, 15h00–18h00
A Let’s Swap vai estar no Greenfest com um evento de trocas na Praça da República.
Cada participante pode levar até cinco peças de roupa e até cinco livros, com uma participação de 1 euro. A presença da Let’s Swap está confirmada no calendário da própria associação, embora esta atividade ainda não apareça, à data de publicação deste artigo, no programa provisório disponível no site do Greenfest.
Para quem tem roupa em bom estado que deixou de usar, é uma oportunidade para a fazer circular e, quem sabe, regressar a casa com alguma coisa que faça mais sentido no roupeiro atual.
Pop-up de roupa em segunda mão — EcocircularRoute
Sexta, sábado e domingo, a partir das 11h00
Quem prefere simplesmente procurar em segunda mão também vai encontrar essa possibilidade.
Nos três dias do Greenfest haverá um pop-up de roupa em segunda mão do projeto EcocircularRoute, na área da CERCI Braga. A atividade decorre em contínuo ao longo do dia e aparece no programa oficial de sexta-feira, sábado e domingo.
Conversas à volta do Upcycling
Sábado, 17h00
O programa de sábado inclui ainda uma conversa inteiramente dedicada ao upcycling.
A ideia parte de um princípio próximo daquele que encontramos nas trocas e na segunda mão: aproveitar aquilo que já existe. No upcycling, porém, materiais, objetos ou peças que poderiam perder a sua utilidade são transformados e ganham uma nova função ou valor.
A sessão está marcada para as 17h00, no Palco Verde.
O papel vital do arvoredo urbano nas cidades do futuro
Sábado, 12h00
Nem só de consumo se faz uma cidade mais sustentável. No sábado, o programa inclui também uma conversa sobre a importância das árvores no espaço urbano e o seu papel nas cidades do futuro.
A sessão decorre às 12h00, também no Palco Verde.
Roupa esquecida no armário? Leva para trocar
É provavelmente uma das atividades que mais nos interessa no Roupeiro.
Os mercados de trocas da Let’s Swap existem precisamente para criar uma alternativa à compra de mais coisas. Em vez de uma peça deixar de ser usada e ficar esquecida num armário, pode regressar à circulação e encontrar outra pessoa que lhe dê utilidade.
No Greenfest, podem ser levadas até cinco peças de roupa e até cinco livros.
Nos mercados organizados pela Let’s Swap, os artigos entregues passam primeiro por um check-in e são avaliados para garantir que estão em condições de continuar a ser utilizados. Os artigos aceites são habitualmente convertidos em pontos, que podem depois ser usados para escolher outras peças ou livros disponíveis no mercado. A associação alerta, no entanto, que as regras podem variar entre eventos, sobretudo quando participa em iniciativas organizadas por terceiros.
Há algumas regras gerais importantes.
A roupa deve estar lavada e em bom estado, sem nódoas, rasgões ou desgaste excessivo. Entre os artigos que a Let’s Swap indica habitualmente não aceitar estão roupa interior, roupa promocional e calçado. Nos livros, ficam de fora, entre outros, livros escolares e religiosos.
E há uma ideia interessante por detrás do limite de peças.
A própria Let’s Swap lembra que a segunda mão também pode transformar-se em consumo excessivo. O objetivo não é simplesmente substituir uma compra de roupa nova por uma acumulação de roupa usada, mas incentivar uma relação mais ponderada com aquilo que entra e sai dos nossos armários.
Segunda mão durante os três dias
As trocas não são a única oportunidade para encontrar roupa que já teve uma primeira vida.
O pop-up de roupa em segunda mão do projeto EcocircularRoute estará presente durante os três dias do Greenfest, a partir das 11h00, na área da CERCI Braga.
Ter as duas possibilidades no mesmo evento é interessante porque mostra que não existe uma única forma de participar numa economia mais circular.
Podemos trocar uma peça que já não usamos por outra. Podemos comprar algo que já existe em vez de escolher novo. Podemos transformar aquilo que temos. Ou podemos simplesmente decidir que, afinal, não precisamos de levar nada para casa.
Quando uma peça não precisa de chegar ao fim
A conversa sobre upcycling, marcada para sábado, acrescenta uma terceira possibilidade.
Nem tudo aquilo que deixou de cumprir a função original precisa de ser descartado. Uma peça pode ser alterada. Um tecido pode tornar-se outra coisa. Um material aparentemente sem utilidade pode ganhar uma utilização completamente diferente.
É uma lógica particularmente interessante quando falamos de roupa.
Há peças que deixamos de usar porque já não gostamos do corte, porque estão danificadas numa determinada zona ou simplesmente porque já não encaixam no nosso estilo. Isso não significa necessariamente que todo o material tenha perdido valor.
Entre trocar, reutilizar e transformar, há muitas etapas possíveis antes do caixote do lixo.
Um Eco-Market em todas as suas vertentes
O Greenfest inclui também um Eco-Market, que reúne marcas e projetos ligados à sustentabilidade.
É uma oportunidade para conhecer alternativas e perceber o que diferentes projetos estão a fazer, mas talvez uma das mensagens mais interessantes de um evento deste género seja precisamente que consumir de forma mais sustentável não significa obrigatoriamente comprar um produto sustentável.
Às vezes significa comprar melhor.
Outras vezes significa comprar em segunda mão.
Pode significar trocar.
Pode significar transformar ou prolongar a utilização daquilo que já temos.
Três dias para experimentar outras escolhas
O programa do Greenfest vai bastante além da moda e da circularidade.
Há atividades dedicadas à biodiversidade, alimentação, reciclagem, bem-estar e cidadania, além de oficinas e jogos para crianças e famílias. Na sexta-feira existe também uma programação dirigida à comunidade escolar.
A organização descreve o Greenfest como um encontro entre cidadãos, empresas, instituições e projetos em torno da sustentabilidade. Em 2026, o festival acontece apenas em Braga, levando essa conversa para a Praça da República durante três dias.
Para nós, há um percurso particularmente fácil de imaginar.
Abrir o roupeiro antes de sair de casa. Escolher algumas peças em bom estado que já não usamos. Levá-las até ao mercado da Let’s Swap. Espreitar o pop-up de segunda mão. Passar pela conversa sobre upcycling.
E talvez regressar a casa não apenas com alguma coisa diferente, mas também com outra forma de olhar para aquilo que já tínhamos.
